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Estudos

ATÉ MESMO OS MILAGRES OPERADOS POR YESHUA HAMASHIACH, FORAM PROFETIZADOS EM DETALHES NA TANACH (BÍBLIA HEBRAICA) MAIS DE MIL ANOS ANTES!

Por Luiz Felippe S. Cavalcanti

"Então, lhes admoestou Yeshua: “Ó tolos de entendimento e lentos de coração para crer em tudo quanto os profetas já declararam a vós! Ora, não era imprescindível que o Mashiach padecesse para que entrasse na sua glória?” Então, iniciando por Moisés e discorrendo sobre todos os profetas, explanou-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras. Neste mesmo instante, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; Ele, contudo, desapareceu diante dos olhos deles. E questionaram-se entre si: “Porventura não nos queimava o coração, quando Ele, durante a nossa jornada, nos falava, quando nos explicava as Escrituras?" (Lucas 24:25,31,32)

Não é novidade que já é de longa data que vemos que Yeshua Hamashiach cumpriu literalmente centenas de profecias bíblicas da Tanach (hoje estima-se que Ele tenha cumprido aproximadamente 426 profecias na Torah, nos Profetas e nos Salmos). Porém algumas dessas profecias permaneceram ocultadas dos olhos da maioria das pessoas por décadas! E somente agora, à semelhança dos discípulos no caminho de Emaús, podemos contemplar essas estonteantes revelações, nos deleitar ao sentir retiradas as escamas de nossos olhos e perceber a preciosidade que é encontrarmos essas pérolas escondidas no meio do precioso tesouro que é a Bíblia para nosso espírito! E assim, ao analisarmos profecia por profecia, somando-as umas às outras, vamos ligando todos esses pontos que antes estavam dispersos escondidos em tantos livros diferentes da Tanach, e diante de nossos olhos vai se formando uma imagem cada vez mais nítida de quem poderia ser a única pessoa que cumpriu todas essas profecias de uma vez só em sua vida, e desta forma edificamos ainda mais a nossa certeza de que Yeshua é de fato o Messias de Israel!

OS MILAGRES OPERADOS POR YESHUA NÃO ERAM FRUTOS DE MERO ACASO! ATÉ ISSO FOI PROFETIZADO EM DETALHES NA TANACH A MAIS DE MIL ANOS ANTES DE SUA VINDA!

Passemos então a analisar um dos mais importantes milagres de todos os tempos operados por Yeshua Hamashiach. O MILAGRE ONDE YESHUA ACALMA A TEMPESTADE. Este é sem sombra de dúvidas um dos milagres mais poderosos já registrados, e também uma das mais contundentes provas da autoridade que Ele havia recebido do Eterno, dando-lhe controle absoluto até mesmo sobre o meio ambiente, e revelando de forma definitiva que Ele não era apenas mais um rabino muito sábio a quem seus discípulos seguiam, mas era alguém dotado de tremendo poder e autoridade, através de quem o próprio Eterno operava (através dele) diretamente na Terra! Vejamos o que nos diz o relato desse fato na Brit Chadashá (Novo Testamento), no livro de Mateus e de Marcos (com maior riqueza de detalhes):

O REGISTRO DE MATEUS 8:23-27

"Entrando Yeshua no barco, seus discípulos o seguiram. De repente, sobreveio no mar uma violenta tempestade, de tal maneira que as ondas encobriam o barco. Ele, contudo, dormia. Então, seus discípulos vieram despertá-lo, clamando: “Senhor, salva-nos! Vamos todos perecer!” Mas Yeshua disse a eles: “Por que estais com tanto medo, homens de pequena fé? E, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e houve plena calmaria. Então, os homens maravilhados, exclamaram: “Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?”

O REGISTRO DE MARCOS 4:35-41

"Naquele mesmo dia, ao cair da tarde, pediu aos seus discípulos: “Passemos para a outra margem”. Eles, então, despedindo-se da multidão, o levaram no barco, assim como estava. E outros barcos o seguiam. Aconteceu que levantou-se um tremendo vendaval, e as grandes ondas se jogavam para dentro do barco, de maneira que este foi se enchendo de água. Yeshua estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o despertaram e suplicaram: “Mestre! Não te importas que pereçamos?” Então, Ele se levantou, repreendeu o vento e ordenou ao mar: “Aquieta-te! Silencia-te!” E logo o vento serenou, e houve completa bonança. E indagou aos seus discípulos: “Por que sois covardes? Ainda não tendes fé?” Os discípulos, contudo, estavam tomados de terrível pavor e comentavam uns com os outros: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”

A PROFECIA REGISTRADA NA TANACH, NO LIVRO DE TEHILIM (SALMOS)

O milagre registrado nestes dois livros, por si só, já é algo completamente sobrenatural, algo sem precedentes na História da Humanidade, e atestado como fidedigno pela ampla maioria dos pesquisadores acadêmicos e eruditos do Novo Testamento no mundo inteiro. Mas seria este milagre algo aleatório? Algo feito por Yeshua por mero acaso ou seria, antes, algo meticulosamente planejado pelo Eterno, e registrado na Tanach muitos séculos antes, para corroborar ainda mais a identidade do verdadeiro Messias junto com todas as outras profecias?

Ao contrário do que muitos pensam, esse milagre de Yeshua não foi aleatório, mas foi, sim, o cumprimento de uma profecia dada pelo Eterno na Tanach, através de David, e registrada no Livro de Salmos em uma data aproximada de 1.440 anos antes da vinda de Yeshua! Vejamos o que diz a profecia:

A PROFECIA, COM DETALHES ESPECÍFICOS DO MILAGRES, RESISTRADA NO LIVRO DE SALMOS 107:21-31

"Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e pelas maravilhas que realiza em favor de todo ser humano! Ofereçam-lhe sacrifícios de ação de graças e, com cânticos jubilosos, proclamem suas obras! Os que se lançaram ao mar em navios, exercendo sua profissão nas grandes águas, esses viram as obras do SENHOR, seus milagres em alto-mar. A sua Palavra, levantou-se um vento tempestuoso, que sublevava as ondas: subiam até o céu, desciam aos abismos; no meio dessas angústias, desfalecia-lhes a alma. Andaram e cambalearam como bêbados, e perderam todo o juízo. Então, em meio ao seu desespero, clamaram ao SENHOR, e Ele os livrou de suas tribulações: reduziu a tormenta a silêncio, e emudeceram as temíveis ondas. Alegraram-se, porque elas amainaram, e Ele os conduziu ao porto ansiado. Dêem graças ao SENHOR por seu amor leal, por seus milagres em favor da raça humana!"

Vemos ao analisar detalhadamente esta profecia, que ela relata fielmente, e nos mínimos detalhes, o milagre operado por Yeshua Hamashiach junto aos Seus discípulos! Toda a sequência exata de eventos descrita no milagre que Yeshua realizou, está ali presente exatamente na mesma ordem que fora profetizado por David 1.440 anos antes de Yeshua! A profecia inicia mostrando as pessoas que presenciaram essa monstruosa tormenta: eram homens que EXERCIAM SUA PROFISSÃO NO MAR, exatamente como no milagre de Yeshua diante de seus discípulos que eram PESCADORES, e se encontravam exatamente em seus barcos no mar neste mesmo momento, completamente de acordo com o que foi profetizado! A profecia diz ainda que estes homens viram OS MILAGRES DO SENHOR NO MAR, e passa a descrever como e quais foram esses milagres: o levantar abrupto da tormenta, e o cessar imediato da tempestade diante de Sua repreensão!! A profecia revela ainda que foi a intenção do próprio Eterno produzir essa terrível tormenta, através de SUA PALAVRA (isso mesmo, através daquele que é O VERBO, A PALAVRA, O MEMRA DO ETERNO)!! E o Seu propósito era não apenas de mostrar aos discípulos que se buscassem ao Eterno (que ali estava manifestado através da pessoa de Seu FILHO e MEDIADOR Yeshua, Ele os ouviria e os salvaria, e ao mesmo tempo confirmaria com exatidão a profecia feita quase 1.500 anos antes, e ainda mostraria a todos quem era o verdadeiro Messias e mediador indicado naquela profecia, e que agora ele já estava em ação aqui na Terra! A profecia então narra que estes mesmos homens estavam desesperados e clamaram ao Senhor, e o mesmo acontece exatamente assim com os discípulos de Yeshua em ocasião deste evento terrível! Yeshua ainda repreende aos discípulos dizendo "AINDA NÃO TENDES FÉ?" como quem falasse "Vocês acham que as coisas na natureza acontecem por acaso? Vocês ainda não sabem que o Eterno, o Criador deste mesmo Universo está aqui neste mesmo instante, operando Seu poder através de mim? Vocês se esqueceram de que eu fui UNGIDO (Mashiach em hebraico) com o Espírito do Eterno sobre mim em forma plena, e que Ele opera diretamente no mundo através de Mim?" E o próprio Yeshua confirma que era dessa forma que o Eterno operava diretamente através dele no mundo, veja: "Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que está em mim, é quem faz as Suas obras." (palavras de Yeshua em João 14:10)

Notem que até a forma que o Eterno manda, através de Yeshua, a tempestade se silenciar e parar instantaneamente está registrada nessa profecia, assim como o feliz desfecho predito na profecia de fato aconteceu também quando Yeshua terminou o milagre!

Concluimos com isso que, mais uma vez, uma poderosíssima profecia se cumpriu à risca na pessoa de Yeshua Hamashiach confirmando-o definitivamente como o Messias cuja vinda havia sido profetizada séculos antes na Tanach, e que através de quem o Eterno salvaria a Casa de Israel também o mundo inteiro!

O SEGREDO DO PODER DA EXPIAÇÃO PELA MORTE DE UM JUSTO

Por Dr. Michael Brown com comentários de Moreh Luiz Felippe Santos Cavalcanti

Há atualmente, dentro de certas correntes do Judaismo, a intenção de se tentar invalidar a morte expiatória de Yeshua, dizendo que Deus NÃO ACEITA SACRIFÍCIO HUMANO COMO EXPIAÇÃO PELO PECADO DE OUTRA PESSOA. Mas ao fazerem isso, eles acabam trazendo contradição a seus próprios argumentos e acabam por anular a própria posição que defendem em várias outras situações. Vejamos:

A primeira delas é o antiquíssimo debate sobre quem é o servo sofredor citado em Isaías 53. Estes defendem com veemência que o servo sofredor não é o Messias, e sim o POVO DE ISRAEL. Mas veja o que diz o texto:

"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; MAS O SENHOR FEZ CAIR SOBRE ELE A INIQUIDADE DE TODOS NÓS. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto FOI CORTADO DA TERRA DOS VIVENTES; PELA TRANSGRESSÃO DO MEU POVO ELE FOI ATINGIDO. E puseram a SUA SEPULTURA com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; QUANDO A SUA ALMA SE PUSER POR EXPIAÇÃO DO PECADO, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, JUSTIFICARÁ A MUITOS; PORQUE AS INIQUIDADES DELES LEVARÁ SOBRE SI. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; PORQUANTO DERRAMOU A SUA ALMA NA MORTE, e foi contado com os transgressores; MAS ELE LEVOU SOBRE SI O PECADO DE MUITOS, e intercedeu pelos transgressores." (Isaías 53:4-12)

Ora, deixando de lado a discussão sobre quem esse texto fala, se é o Messias sofredor, ou se é o povo de Israel que está sendo retratado neste texto, (como eles crêem), O FATO ÓBVIO É QUE ESTE TEXTO INTEIRO FALA DA MORTE DE UM JUSTO COMO EXPIAÇÃO PELO PECADO DE MUITOS! E DIANTE DESTE FATO TÃO CLARO, COMO PODERÃO ELES AINDA ARGUMENTAR QUE DEUS NÃO ACEITA SACRIFÍCIO HUMANO? SE DEUS NÃO ACEITASSE SACRIFÍCIO HUMANO, ENTÃO NEM O QUE ELES CRÊEM (QUE ISAÍAS 53 SE REFERE AO POVO DE ISRAEL), TERIA SENTIDO ALGUM, POIS ESTE TEXTO FALA DE SACRIFÍCIO HUMANO DE PONTA A PONTA. NÃO É UM SER HUMANO QUE ESTÁ SENDO MORTO AQUI PARA EXPIAR OS PECADOS DE MUITOS? COM ESTE ARGUMENTO DE QUE DEUS NÃO ACEITARIA SACRIFÍCIO HUMANO ELES DERRUBAM A PRÓPRIA HIPÓTESES DO SERVO SOFREDOR SER ISRAEL QUE ELES MESMOS CRÊEM!!

Uma outra situação problemática para eles é o fato de o conceito de um MESSIAS SOFREDOR, CONHECIDO COMO MASHIACH BEN YOSEF ser amplamente aceito e conhecido na tradição judaica, e que ele TAMBÉM DEVERIA SER MORTO PARA EXPIAR PELOS PECADOS DO POVO! OU SEJA, SACRIFÍCIO HUMANO NOVAMENTE! Mas como pode? Não eram eles que diziam que Deus não aceita sacrifício humano? E este conceito de Mashiach ben Yossef veio à existência EXATAMENTE PARA SE EXPLICAR PROFECIAS COMO ESTA DE ISAÍAS 53 E TANTAS OUTRAS (como Zacarias 9, Zacarias 11, Salmos 22 e etc..) e este é o principal conceito de Mashiach do Judaismo rabínico ANTIGO, a vasta maioria dos rabinos mais antigos e mais importantes de todos os tempos CRIAM QUE O SERVO SOFREDOR ERA O MESSIAS, esse conceito de que o servo sofredor é o povo de Israel é muito posterior, surgiu mais de um milênio depois, por volta do século 11. Mas, novamente, creiam eles de uma forma ou de outra, a morte do Messias sofredor pelos pecados da humanidade é novamente UM SACRIFÍCIO HUMANO para se expiar pecados de um povo.

Podemos ainda mostrar uma terceira situação, na Tanach (Bíblia) onde um sacrifício humano é feito para pagar por um pecado. A situação onde Finéias (Pinchás) SACRIFICA DUAS PESSOAS QUE PECARAM E ASSIM FAZ EXPIAÇÃO DO PECADO DO POVO TODO E A PRAGA CESSA. Veja:

"E eis que veio um homem dos filhos de Israel, e trouxe a seus irmãos uma midianita, à vista de Moisés, e à vista de toda a congregação dos filhos de Israel, chorando eles diante da tenda da congregação. Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, sacerdote, se levantou do meio da congregação, e tomou uma lança na sua mão; E foi após o homem israelita até à tenda, e os atravessou a ambos, ao homem israelita e à mulher, pelo ventre; então a praga cessou de sobre os filhos de Israel. E os que morreram daquela praga foram vinte e quatro mil. Então o Senhor falou a Moisés, dizendo: Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, sacerdote, DESVIOU A MINHA IRA DE SOBRE OS FILHOS DE ISRAEL, pois foi zeloso com o meu zelo no meio deles; de modo que, no meu zelo, não consumi os filhos de Israel. Portanto dize: Eis que lhe dou a minha aliança de paz; E ele, e a sua descendência depois dele, terá a aliança do sacerdócio perpétuo, porquanto teve zelo pelo seu Deus, E FEZ EXPIAÇÃO PELOS FILHOS DE ISRAEL." (Números 25:6-13)

EM TODAS ESSAS SITUAÇÕES HOUVE SACRIFÍCIO HUMANO, ACEITO POR DEUS PARA SE PAGAR POR PECADOS. Nas duas primeiras situações, UM JUSTO é morto para pagar o pecado dos injustos, e na última situação dois injustos foram mortos e a praga que mataria todo o povo cessou, ou seja, Deus aceitou a morte deles como pagamento pelo pecado do povo.

DIANTE DISSO, FICA DEFINITIVAMENTE PROVADO QUE O JUDAISMO RECONHECE SIM, QUE DEUS ACEITA SACRIFÍCIO HUMANO PARA EXPIAÇÃO DE PECADOS. Analisemos mais algumas situações:

O Judaísmo tradicional acredita no poder expiatório da morte dos justos. O historiador judeu ortodoxo rabino Berel Wein descreve a atitude do povo judeu que sofreu atrocidades no século XVII, como segue:

Judeus alimentam esta clássica ideia de morte como uma expiação. . . a melhoria de Israel e da humanidade de alguma forma foi alavancada pelo "esticar do pescoço para o abatimento". . . Este espírito dos judeus é verdadeiramente refletido na crônica histórica do tempo:

"... Aquele que Deus ama será castigado. Pois desde o dia que o Templo Sagrado foi destruído, os justos são abatidos pela morte por causa das iniqüidades da geração." (Yeven Metzulah, final do capítulo 15, citado em Wein, The Triumph of Survival, 14)

Observe como Yeven Metzulah liga os poderes expiatório do morte dos justos à destruição do Templo. Agora que já não há sacrifícios do Templo, os justos morrem em nome do povo.

De acordo com o Talmud, "a morte dos justos expia" (mitatan shel Tsaddiqim mekapperet). Mais notavelmente, os rabinos interpretam a morte de Miriam e Arão a esta luz, explicando que a morte dos justos expia (ver b. Mo'ed Qatan 28a).

O Zohar também apoia esta ideia do poder expiatório do justo com referência a Isaías 53:

Os filhos do mundo são membros uns dos outros, e quando o Santo deseja dar cura para o mundo, ele fere um homem justo entre eles. . . De onde é que vamos aprender isso? Do dito, "Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades" [Isa. 53: 5]. . . Em geral, uma pessoa justa é apenas ferida a fim de obter a cura e reconciliação para toda uma geração. (Citado em Driverr-Neubauer, 2:15)

Esta mensagem, ou seja, que uma pessoa piedosa pode sofrer de modo a expiar os pecados dos outros, é central para a mensagem da Boa Nova de Yeshua. Quem poderia ser mais santo e mais justo do que o Messias? Seu sacrifício trouxe a liberdade de transgressões. Embora nós merecemos a morte, Ele tornou-se uma fonte de vida para todos os que crêem. Esta mensagem sobre o Messias Yeshua é completamente bíblica e completamente judaica.

Considere a avaliação de Solomon Schechter dos ensinamentos do Talmud sobre o sofrimento dos justos e da expiação:

A expiação de sofrimento e morte não se limita à pessoa que sofre. O efeito expiatório estende-se a toda a geração. Este é especialmente o caso com esses sofredores como não podem, quer em razão da sua vida justa ou pela sua juventude, serem merecedores das aflições que vieram sob eles. (Aspects of Rabbinic theology, 310-311)

Este ensinamento do Talmud é completado com a seguinte oração na quarta Macabeus (escrito em algum lugar entre 100 aC - 100 dC): ". Faz com que o nosso castigo seja uma expiação para eles. Faça meu sangue a sua purificação e pegue minha alma como resgate por suas almas "(4 Macabeus 6: 28-29). E há grandes estudiosos que argumentam que essa ideia do poder expiatório dos mártires justos remonta ao Akedah, o sacrifício de Isaque; como está escrito em quarta Macabeus, "Isaac ofereceu a si mesmo por uma questão de justiça Isaque não retrocedeu quando viu a faca levantada contra ele pela mão de seu pai...." (4 Macabeus 13:12; 16:20).

Os rabinos acreditavam que Isaac tinha trinta e sete anos de idade quando Abraão foi chamado por Deus para lhe oferecer no Monte Moriá (Gn 22), fazendo de Isaac, o maior herói no evento, desde que ele não resistiu as ações de seu pai. Em um conto do midrash da criação, Deus descreve aos anjos o significado do homem com as seguintes palavras: "Você deve ver um pai matar seu filho, e o filho consentir em ser morto, para santificar o meu nome" (Tanhuma, Vayyera, sec . 18). Outra Midrash compara mesmo Isaque - que carregava a madeira para a oferta em seu ombro - para "aquele que carrega sua cruz em seu próprio ombro" (ver Gênesis Rabá 56: 3). Claro, Isaque não foi realmente sacrificado, mas, apesar disso, os rabinos ensinam que "As escrituras creditam a Isaque TER MORRIDO e tendo suas cinzas derramadas sobre o altar" (Midrash HaGadol em Gen. 22:19), e Deus é visto como TENDO ACEITO O SACRIFÍCIO DE ISAAC", como se [as cinzas de Isaque] foram empilhados em cima do altar" (Sifra, 102c;. b Ta'anit 16a). De acordo com a doutrina de que não pode haver reconciliação sem o sangue ter sido derramado, OS RABINOS AFIRMAM QUE ISAAC, DE FATO, DERRAMOU O SEU SANGUE (veja Mekhilta d'Rashbi, p 4;.. Tanh Vayerra, sec 23.).

O COMPROMETIMENTO DE ISAAC é comemorado pelos judeus ao longo das gerações, até hoje. O Mekhilta de Rabi Ishmael, um midrash recente, comenta sobre o sangue que foi aplicado às molduras de portas em Êxodo 12:13, o sangue que fez o anjo da morte passar sobre os hebreus e poupar seus primogênitos. O Midrash declara: " 'E quando eu vir o sangue, passarei por cima de vós' - VEJO O SANGUE DO COMPROMETIMENTO DE ISAAC" (I, 57), o que significa que não era o sangue dos cordeiros do sacrifício que Deus viu mas sim o "SANGUE" de Isaque. Há até mesmo uma oração judaica que ainda é recitado em um serviço adicional para Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, que diz: "Lembre-se hoje o comprometimento de Isaque com misericórdia para com seus descendentes."

Como isso é poderoso na memória do povo judeu, e como claramente aponta para o poder expiatório da morte dos justos. Mas, enquanto Isaac não era perfeitamente justo e não chegou a morrer no Monte Moriá, Yeshua nosso Messias era perfeitamente justo e morreu em nosso lugar.

Há também uma visão fascinante que podemos recolher a partir do livro de Números a respeito do poder expiatório da morte do sumo sacerdote. A Torá ensina que o derramamento de sangue profana a terra e o único pagamento aceitável para este derramamento de sangue é o sangue daquele que o derramou. Mas e se um homem matou alguém acidentalmente? Então, ele poderia fugir de seus vingadores e viver em uma cidade de refúgio até a sua morte ou até a morte do sumo sacerdote (Num. 35:28).

O que, então, pagaria pelo derramamento do sangue? Foi seu tempo no exílio, ou foi a morte do sumo sacerdote? O Talmud, "Não é o exílio, que expia, MAS A MORTE DO SUMO SACERDOTE" (m Makkot 2:.. 6; b Makkot 11b, ver também Levítico Rabá 10: 6).

A morte do sumo sacerdote, o líder espiritual do povo de Israel, expia o homicídio acidental, funcionando como um substituto para a morte daquele que inadvertidamente matou outra pessoa. O sumo sacerdote, o indivíduo chamado para ser mais próximo de Deus na nação de Israel, intercede em nome do povo, não só através de suas orações, mas também através da sua morte! De maneira semelhante, alguns dos antigos rabinos declararam: "VEJA QUE EU SOU A EXPIAÇÃO DE ISRAEL" (Mekhilta 2a; m Negaim. 2: 1 em Schechter, 311).

Se, de acordo com a tradição rabínica, os sumos sacerdotes, os rabinos piedosos, santos mártires e os justos de Israel são capaz de expiar o pecado de sua geração, então não faz sentido que o Messias, que é o nosso maior líder e o único mártir perfeitamente santo, iria fazer expiação pela sua nação?

Yeshua, o Messias, é o nosso grande sumo sacerdote! Ele é nossa expiação!

Esta doutrina não é algo inventado pelos seguidores de Yeshua, mas é uma ideia que tem sua base na nossa antiga tradição judaica e nas Escrituras Hebraicas.

ISAÍAS 53 NA VISÃO DOS RABINOS MAIS ANTIGOS

Por Luiz Felippe S. Cavalcanti

"A interpretação judaica tradicional entende a passagem como uma referência ao Messias, como, é claro, fizeram os primeiros seguidores de Yeshua, que criam ser Yeshua o referido Messias. Não foi senão no século XII que surgiu a opinião de que o Servo aqui se refere à nação de Israel, opinião que se tornou dominante no Judaísmo." (Charles C. Ryrie Th.D Ph.D, comentário sobre Isaías 52:13-53:12, Bíblia Anotada, pág. 905)

Porém, por mais de mil anos, desde que surgiu o judaismo rabínico, A VASTA E ABSOLUTA MAIORIA DOS RABINOS CRIA QUE ESTA PASSAGEM DIZIA RESPEITO AO MESSIAS, e não ao povo de Israel. Essa interpretação começou com Rashi no século XII, diante das enormes atrocidades e extermínios que vinham sendo praticadas naquela época contra o povo judeu, pela inquisição Católica Romana. E Obviamente Rashi viu a necessdade de se desvincular esta profecia sobre o Messias, daquele messias romano a quem os católicos diziam seguir (e não seguiam), e em nome de quem suas famílias estavam sendo mortas. Pra uma audiência judaica, naquela época, admitir que essa passagem se referia ao Messias, seria como assumir a culpa por sua morte. Por isso que é necessario entendermos o que levou um erudito como Rashi a FUGIR DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DE TODOS OS RABINOS ANTERIORES QUE FALAVAM QUE SE TRATAVA DO MESSIAS, E PLANTAR UMA OUTRA INTERPRETAÇÃO TOTALMENTE DESCONECTADA DE SEU CONTEXTO (Pois o mesmo Isaías que sempre acusa o povo de ser pecador, cheio de iniquidades, idólatra, adúltero e ganancioso e etc, não ia abruptamente mudar seu discurso constante em seu livro, e num único capítulo começar agora chamá-lo de povo justo, sem pecado, que nunca cometeu injustiça e etc..)

ABAIXO ENTÃO ELENCAMOS ALGUNS COMENTÁRIOS DESSES RABINOS MAIS ANTIGOS, QUE MOSTRAM QUE A INTERPRETAÇÃO DE ISAÍAS 53 SEMPRE SE REFERIU AO MESSIAS:

"Eis aqui o meu servo, O MESSIAS, a quem conduzo, o meu escolhido em quem minha Memra [palavra] tem prazer. Eu porei meu Espírito Santo sobre ele e ele revelará minha Lei às nações." (Targum Jonathan em Isaías 42:1)
"Veja, meu servo, O MESSIAS há de prosperar; ele será elevado, e deve crescer e ser excessivamente forte: como a casa de Israel olhou para ele por muitos dias, porque o seu semblante se obscureceu entre os povos, e a aparência dele mais do que a dos filhos dos homens." (Targum Jonathan em Isaías 52-53)
No Midrash Rabbah há uma explicação sobre Rute 2:14:
"Ele está falando sobre o REI, O MESSIAS: Achega-te para cá: aproxime-se do trono e coma do pão, isto se refere ao pão da realeza, e molha no vinagre o teu pedaço, isto se refere aos seus sofrimentos, como está escrito: Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades." (Ruth Rabbah 5:6)
O Midrash Tanhuma sobre Gn 27:3, parasha Toldot 14:
Cântico das subidas: "Eu levanto os meus olhos para as montanhas." (Sl 121:1). É bem o que está escrito: "Quem és tu, ó grande montanha, que diante de Zorobabel se tornou uma planície?" (Zc 4:7) Esta montanha é O MESSIAS Filho de Davi. E por que ele é chamado de "grande montanha?" Porque ele será maior do que os patriarcas, como se diz: O meu servo prosperará, crescerá, se levantará e será muitíssimo elevado". (Is 52:13). Ele crescerá mais do que Abraão, se levantará mais do que Isaque, e se tornará mais alto do que Jacó. Crescerá mais do que Abraão que disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o possuidor dos céus e da terra. (Gn 14:22). E se levantará mais do que Moisés, que disse: Concebi eu porventura todo este povo? Dei-o eu à luz? para que me dissestes: leva-o ao teu colo, como a ama leva a criança que mama, à terra que juraste a seus pais? (Nm 11:12). E ele se tornará mais alto do que os anjos ministradores, de quem está escrito: E os seus aros eram tão altos, que faziam medo; e estes quatro tinham as suas cambotas cheias de olhos ao redor. (Ez 1:18). Eis por que está dito: "Quem és tu, grande montanha?" E de onde sairá (esta montanha)? Ela será "extraída" de Zorobabel. E em razão de que este é chamado de Zorobabel (raça de babel)? Por ter sido gerado na Babilônia. E por que (o Messias) nasceu de Davi? É porque está dito: E Salomão teve como filho Roboão, que teve com filho Abiya etc..." até: e Delayah e Anani" (1 Cr 3:10-24). Quem é este Anani (=o das nuvens)? É o Messias, pois "quem despreza o dia das coisas pequenas?" (Zc 4:10). Com efeito, está dito: "Eu via nas visões da noite, e eis que com as nuvens do céu vinha como um filho de homem" (Dn 7:13). Ora, Anina é o número sete. Por que o sete? O que está escrito acerca do Rei Messias? "Pois quem desprezará o dia dessas sete pequenas coisas?" (Zc 4:10). Eis por que está dito: "Quem és, grande montanha?" (Zc 4:7). Esta montanha é aquele de quem está escrito: "E ele julgará com justiça os indigentes etc." (Is 11:4). E se extrairá a pedra de cumeeira" (Zc 4:7b). O que é que está escrito depois [em Daniel]: Então foram quebrados ao mesmo tempo (o ferro, a argila, o bronze, a prata e o ouro).." (Dn 2:35). Eis por que está escrito: "Quem és tu, grande montanha?" E como ele virá? Pelos caminhos das montanhas, pois está dito: "Como são belos sobre as montanhas, os pés do anunciador de boa nova etc." (Is 52:7). Naquele momento, Israel olhará e dirá: Eu levanto os meus olhos para as montanhas donde virá o meu socorro: Meu socorro vem de junto de YHWH que fez o céu e a terra" (Sl 121:1) Amém! Que assim se faça a tua vontade!

O método midráshico empregado no comentário do texto de Zacarias é característico do gênero. Todas as palavras do texto chamam as citações que servem para explicá-lo. A interpretação messiânica do salmo passou para o Targum da passagem, com uma forma notável:

"Como és estimado diante de Zorobabel, reino estúpido? Não és como uma planície? Mas YHWH revelará o seu MESSIAS, cujo nome foi dito desde o começo, e ele dominará sobre todos os reinos. (4:7)."

O paralelo dO MESSIAS com os grandes antepassados sublima a superioridade absoluta daquele. A ligação do Messias com Davi permite dar-lhe a alcunha de 'Anani' (=o das nuvens), seguindo o nome do último descendente de Davi mencionado em 1 Cr 3:25, que neste ponto se apóia no comentário de Tahuma. Mas a justificação desta alcunha se funda na interpretação messiânica de Dn 7:13, já encontrada no Apocalipse de Esdras. (Trecho retirado do livro: A esperança judaica no tempo de Yeshua pg 202)

Em um livro do período do Segundo Templo: O Testamento dos Doze Patriarcas, o testamento de Benjamin liga José a figura do Servo Sofredor de Isaías 52-53. Neste testamento, Jacob disse a José: Em você será cumprida a profecia celestial, que afirma que o imaculado será violado por homens sem Lei e o sem-pecado morrerá por causa dos homens ímpios.
Essas citações demonstram que a designação do Messias sofredor como “filho de José” remonta ao período do Segundo Templo. Essa tradição do “Messias filho de José” e sua morte também aparece no Talmude babilônico em Sukkah 52a:
"Os rabinos ensinaram: O Messias ben David, que (como esperamos) vai aparecer em um futuro próximo, o Santo, bendito seja Ele, irá dizer-lhe: Peça-me e dar-te-ei, como está escrito [Salmos 2:7-8]: “Vou anunciar o decreto ... Peça-me, e darei”, etc. Mas como o Messias ben David terá visto que o Messias ben Joseph, que o precedeu foi morto, ele vai dizer diante do Senhor: “Senhor do Universo, nada peço a Ti, senão a vida”. E o Senhor irá responder: “Isso já foi profetizado pelo teu pai Davi a ti, [Salmos 21:5]: ‘A vida que ele pediu a ti, tu deste a ele’” (Talmude babilônico Sukkah 52a)."

No Talmud Babilônico está registrado:
"O MESSIAS- Qual é o nome dele? ... Os rabinos disseram: Seu nome é o 'estudioso leproso', como está escrito: Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou nossas dores; e nós o reputávamos por um leproso, ferido de Deus, e oprimido." (Sanhedrin 98b)

Nos Mistérios do Rabi Shim'on ben Yohai (Midrash), encontramos:

"E Armilaus se unirá à batalha contra o Messias, o filho de Efraim, no portão Oriental...; e o Messias, o filho de Efraim, morrerá lá, e Israel pranteará por Ele. E depois, o Santo revelará a eles o Messias, o Filho de Davi, a quem Israel vai querer apedrejar,dizendo: Tu falas falsamente, o Messias já foi morto, e não há outro Messias que se levante (após Ele); e assim o desprezarão, como está escrito: "Desprezado e o mais rejeitado entre os homens"; mas ele voltará e se esconderá deles, de acordo com as palavras: "Como um de quem os homens escondem o rosto."

Nos séculos posteriores esta continuou sendo a interpretação judaica:

O rabino caraíta Yafet Ben Ali (segunda metade do século X):

"Quanto a mim, estou inclinado, juntamente com Benjamin de Nehawend, a considerá-lo como aludindo AO MESSIAS, e que se inicia com uma descrição de sua condição no exílio, desde o seu nascimento até sua ascenção ao trono: pois o profeta começa falando que Ele está sentado numa posição de grande honra e, então volta a relatar tudo o que Lhe acontecerá durante o cativeiro. Ele nos dá a entender, portanto, duas coisas: em primeiro lugar, que o Messias só irá atingir o seu mais alto grau de honra após longas e severas provações, e em segundo lugar, que estas provações lhe serão enviadas como uma espécie de sinal, de modo que, ao se encontrar sob o jugo de infortúnios e permanecer puro em suas ações, ele possa saber que é o desejado. [...] Com as palavras "Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades", querem dizer que as dores e enfermidades pelas quais ele passou eram merecidas por eles, mas que ele as suportou em seu lugar. Acho necessário aqui, pausar por alguns instantes, a fim de explicar porque Deus fez estas enfermidades recaírem sobre o Messias por amor a Israel. O povo merecia de Deus um castigo muito maior do que o que recebeu, mas não sendo suficientemente forte para suportar isso, Deus nomeia seu servo para levar os pecados deles, e ao fazer isso, torna o castigo deles mais leve, a fim de que Israel não fosse completamente exterminado. [...] E o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. O profeta, não quer com "avon" dizer iniqüidade, mas punição para iniqüidade, como na passagem, "Sabei que o vosso pecado vos há de achar" (Num. 32:23)."

O Rabino Moisés, 'O Pregador' (século 11) escreveu em seu comentário sobre o Gênesis (página 660):
"Desde o princípio, Deus fez uma aliança com O MESSIAS [ben Yossef] e disse-lhe: Meu justo Messias, aqueles que são confiados a você, o pecado deles te trará um jugo muito pesado pra você suportar. E ele respondeu: Eu aceito de bom grado todas essas agonias, a fim de que nenhum de Israel seja perdido. Imediatamente o Messias aceitou todas as agonias com amor, como está escrito: Ele foi oprimido e afligido."

Lekach Tov (séc.XI - Midrash), afirma:

"E que seu reino [de Israel] seja exaltado, nos dias do Messias, de quem se diz: Eis que meu servo prosperará, será exaltado e elevado, e será mui sublime."
Yalkut Schimeon (atribuído ao Rabbi Simeon Kara, no século XII) diz:
"Em Zc 4:7: O rei Messias é maior que os patriarcas, porque é dito, "Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime. (Isa. 52:13)."

Gersonides filósofo e talmudista judeu (1288-1344) em Deut. 18:18 diz:
"De fato, O MESSIAS é o tal profeta, como se afirma no Midrash do verso: "Veja! Meu Servo prosperará" (Is 52:13) (...) Moisés, pelos milagres que fez, trouxe uma única nação à adoração de Deus, mas o Messias vai chamar todos os povos à adoração de Deus."

Nachmanides (Rabino Moshe ben Nachman) do século XIII afirmou:
"Supõe-se que a visão correta com relação a esta parashá venha através da frase: "meu servo” que significa todo o Israel... Contudo, como opinião diferente, adota-se pelo Midrash, que isso se refere AO MESSIAS, é necessário que a expliquemos de conformidade com a nova opinião lá mantida. O profeta diz, o Messias, o Filho de Davi, sobre quem o texto fala, nunca será conquistado nem perecerá pelas mãos dos seus inimigos. E, de fato, o texto ensina isso claramente. [...] Pelas suas pisaduras fomos sarados – por causa das pisaduras pelas quais foi humilhado e angustiado Ele nos curará; Deus nos perdoará por Sua justiça, e seremos curados tanto de nossas próprias transgressões quanto das iniqüidades de nossos pais."

Rabi Moshê ben Nachaman também explica:

"A dor de Mashiach resultará em nos corrigirmos, pois, devido ao mérito dele, Deus nos perdoará e seremos curados de nossas transgressões."

Abravanel (1437-1508) fez uma declaração que é particularmente significativa, pois segundo sua visão pessoal não era a respeito do Messias que Isaías estava falando. Quanto a Isaías 52:13 até Isaías 53:12, ele declarou:

"A primeira questão é saber a quem ele [Isaías] se refere: Os instruídos entre os nazarenos o aplicam ao homem que foi crucificado em Jerusalém, no final do segundo Templo, e que, segundo eles, era o Filho de Deus que tomou carne no seio da virgem, como se afirma em seus escritos. Mas Yonathan ben Uziel interpreta no Targum como referente ao futuro Messias. Esta é também a opinião de nossos próprios homens instruídos na maioria de seus discursos rabínicos (midrashim)."

Abraham Farissol (1451-1526) diz:

"Neste capítulo parece haver umas semelhanças e umas alusões consideráveis ao ministério do Messias "cristão" e aos eventos que são aplicados para ter acontecido com ele [o Messias], de modo que nenhuma outra profecia deva ser encontrada ou aplicada tão bem e ao assunto de que pode assim imediatamente lhe ser conferido."

Alshich, um cabalista do século XVI, explica:
"O Messias aceita seu sofrimento de bom grado, com amor pelo povo judeu e toda a humanidade, e que quando finalmente o Messias se revelar nós nos daremos conta de que ele escolheu sofrer. Compreenderemos então quantos esforços ele investiu suportando o sofrimento da geração."

O Rabino Moses Alschech (1508-1600) diz:
"Eu posso observar então, que os nossos rabinos de abençoada memória, à uma só voz, aceitam e afirmam a opinião de que o profeta está falando do Rei Messias. E nós também devemos aderir ao mesmo ponto de vista."

Moshe Cohen, um rabino do século XV na Espanha, também discute Isaías 52-53. Ele refuta a interpretação de que a passagem é uma referência para o povo de Israel como um todo:
"Esta passagem, os comentaristas explicam, fala do cativeiro de Israel, embora o número singular seja utilizado por toda parte. Outros têm suposto que signifique o justo neste mundo atual, que agora são esmagados e oprimidos [...] mas estes também, pela mesma razão, alteram o número, retiram os versos de seu significado natural. E, então parece-me que tendo rejeitado o conhecimento dos nossos mestres, inclinaram-se "após a teimosia de seus próprios corações", e em minha própria opinião, eu tenho o prazer de interpretá-la de acordo com o ensinamento de nossos rabinos sobre o Rei Messias."

O Rabi Eliyahu de Vidas (séc. XVI) escreveu:
"Diz-se no Tanna Devei Eliyahu, que durante os treze anos em que R. Shimon ben Yohai esteve preso na caverna, as profundezas da sabedoria foram revelados a ele, e ele alcançou o conhecimento do futuro. Em particular, ele aprendeu que o homem que tenha cometido iniqüidades deve sofrer por elas, e que não é digno de entrar na luz celestial (que é o óleo de que Davi fala quando diz: Unges a minha cabeça com óleo. Sl 23:5) se primeiro não machucar-se e esmagar-se, como é dito: Misturada com óleo esmagado (Nm 28:5). E é o que está escrito: Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e esmagado pelas nossas iniqüidades, o significado disso é que uma vez que O MESSIAS carrega nossas iniqüidades, as quais produzem o efeito de seu machucado, segue-se que aquele que não admitir que o Messias sofra assim por nossas iniqüidades, deve suportá-las e sofrê-las ele mesmo." (Princípio da Sabedoria, por R. Eliyahu de Vidas (1575) encontrado no capítulo 53 de Isaías segundo intérpretes judeus, S.R. Driver, A.D. Neubauer (Oxford: Parker, 1877), pp. 385-386)

Herz Homberg, um educador judeu, que viveu entre (1789 e 1841) também refuta a idéia de que Isaías está se referindo a alguém além do Messias:
"De acordo com a opinião de Rashi e Ibn Ezra, isto se refere a Israel, no final de seu cativeiro. Mas se assim for, o que pode significar a passagem: Ele foi ferido pelas nossas transgressões. Quem foi ferido? Quem são os transgressores? Quem levou embora a doença e carregou a dor? O fato é que esta passagem se refere ao Messias, que virá nos últimos dias, quando será do agrado do Senhor redimir Israel de entre as diferentes nações da terra. O que quer que ele tenha sofrido foi em conseqüência da transgressão do próprio povo, Deus o escolheu para que ele fosse uma oferta pela culpa, como o bode expiatório que levou toda a iniquidade da casa de Israel." - Herz Homberg (18th-19th c.)

O Rabi Sh'lomoh Astruc (séc. XIV) escreveu:
"Meu servo prosperará, ou será verdadeiramente inteligente, porque através da inteligência o homem é realmente homem – é a inteligência que faz de um homem o que ele é. E o profeta chama o REI MESSIAS DE MEU SERVO, falando como se o houvesse enviado. Ou talvez chame todo o povo de meu servo, como diz acima “meu povo” (III.6): quando ele fala sobre o povo, o Rei Messias está incluído nele, e quando ele fala sobre o Rei Messias, o povo está em conjunto com ele. O que ele diz então é, que meu servo, o rei Messias, prosperará."

Isaías B. Abraham Horowitz, diz:
"E então, a casa de José, que pecou ao se separar do reino da casa de Davi será restaurada. Porque o Messias filho ben Yosef não virá em seu próprio benefício, mas ele virá para o bem de Messias ben David. Porque ele irá oferecer a sua vida e derramará a sua vida à morte (Is 53,12) e o seu sangue expiará pelo povo junto ao Senhor. Deste modo, acontecerá mais tarde que o reino da casa de Davi governará para sempre entre o povo de Israel. “(Isaías b. Abraham Horowitz, Sepher Shnei Luhot Ha-Berit, publicado pela primeira vez em Amsterdã, em 1649. A citação é da Quarta edição de 1724, p. 299B)

Naftali ben Asher Altschuler diz:
"A enfermidade que deveria ter caído sobre nós, foi carregada por ele. Isso significa que, quando o Messias ben Yosef morrer entre as portas, e for uma maravilha aos olhos da criação, por que a pena que ele tem que carregar deve ser tão severa? Qual é o seu pecado, e qual é a sua transgressão, exceto que ele vai suportar os castigos de Israel, de acordo com as palavras ferido de Deus?" (Is. 53:4) de Naftali ben Asher Altschuler (m. depois de 1607) Ayyalah Sheluhah (Cracóvia, 1593-1595) em Isa. 53:4.)

Moisés Alshekh diz:
"Eu vou fazer ainda uma terceira coisa, a qual é que eles devem olhar para mim (Zc 12,10), porque eles levantarão seus olhos para mim em arrependimento perfeito, quando virem aquele a quem transpassaram, isto é, o Messias ben Yosef. Porque os nossos rabinos, de abençoada memória, disseram que ele tomará sobre si a culpa de Israel, e deve, então, ser morto na guerra para fazer expiação, de tal maneira que seja considerado como se Israel lhe tivesse perfurado. Porque foi por causa dos pecados deles que ele morreu e por isso, a fim de que isto seja reconhecido para eles como uma expiação perfeita, assim eles vão se arrepender e olhar para o Bendito, dizendo que não há ninguém ao seu lado para perdoar os que choram por causa daquele que morreu pelos pecados deles. E este é o significado de “E olharão para mim..." Moisés Alshekh (1507-depois de 1593), em Marot ha-Zove’ot (Veneza 1603-1607) em Zc 12.10.)

Servo sofredor na tradição judaica
"[No momento da criação do Messias], o Santo, bendito seja Ele, vai dizer-lhe em detalhe o que vai acontecer a ele: Há almas [da geração contemporânea do Messias] que tem sido escondidas junto com você sob o meu trono; os pecados destas almas colocarão sobre você um jugo de ferro para você suportar e farão a você como a este bezerro cujos olhos se escurecem com o sofrimento. Eles vão te sufocar o espírito em um jugo, e por causa dos pecados delas a tua própria língua se apegará ao céu da boca (Sl 22,15). Você está disposto a suportar essas coisas? O Messias vai perguntar ao Santo, bendito seja Ele: Quanto tempo vai durar esses sofrimentos? E o Santo, bendito seja Ele, responderá: Por tua vida e por minha cabeça, eu tenho decretado um período de uma semana [sete anos] para você, mas se a tua alma está triste com a perspectiva de teu sofrimento, vou neste momento banir essas almas pecadoras. Porém o Messias lhe dirá: Senhor do Universo, com toda disposição de minha alma e alegria de meu coração eu tomarei sobre mim este sofrimento, sob a condição de que nenhuma única alma de Israel pereça, e que não somente aqueles que estão vivos sejam salvos em meus dias, mas também os que estão mortos, os que morreram desde os dias de Adão, o primeiro homem até o momento da redenção [ressurreição]; e não apenas estes, mas que em meus dias também sejam salvos os que morreram como abortos, assim como aqueles a quem tu pensaste para criar, mas que não foram criados. Tais são as minhas condições, e para estas coisas eu estou disposto a tomar sobre mim aquilo que tu decretaste. O Santo respondeu, eu irei fazê-lo, e imediatamente o Messias aceitou os castigos de amor, como está escrito: "Ele foi oprimido e aflito". [...]

"Durante o período da semana [sete anos] que antecede a vinda do filho de Davi, vigas de ferro serão trazidas e colocadas sobre o pescoço do Messias [Efraim] até que o seu corpo seja dobrado. Em seguida, ele vai gritar e chorar e a sua voz se levantará até a altura [do céu], e ele vai dizer na presença de Deus: Mestre do Universo, o quanto pode aguentar a minha força? O quanto pode aguentar o meu espírito? O quanto os meus membros podem sofrer? Não sou mais eu de carne e osso? Foi por causa dessa provação que Davi lamentou, dizendo: A minha força secou-se como um caco de barro. (Sl.22:16) Naquela hora o Santo, bendito seja, vai dizer-lhe: Efraim, Meu justo Messias, há muito tempo, desde os seis dias da criação, você aceitou tomar esta provação sobre si mesmo. Neste momento, a tua dor é como minha dor. Desde o dia em que o ímpio Nabucodonosor destruiu meu templo e queimou meu santuário, e exilou meus filhos entre as nações do mundo, pela tua vida e pela vida da minha cabeça, eu não tenho sido capaz de sentar-me no meu trono. E se você não acredita em mim, veja o orvalho da noite que cai sobre a minha cabeça, como se diz: minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite. Ao ouvir estas palavras, o Messias irá responder: Agora eu estou reconciliado. O servo se contenta em ser como o seu Mestre." [...]

"Ensina-se, aliás, que no mês de Nisan os patriarcas ressurgirão e dirão ao Messias: Efraim, o nosso verdadeiro Messias, apesar de sermos teus antepassados, você é maior do que nós, pois você suportou sofrimentos por causa das iniqüidades de nossos filhos e provações terríveis se abateram sobre você, e por meio destes sofrimentos as gerações anteriores e posteriores são expiadas. Você se tornou objeto de escárnio e de desprezo entre os povos da terra. Por amor de Israel, você se assentou em trevas e escuridão, seus olhos não viram a luz; sua pele se colou em seus ossos (cf. Salmos 22,17), e seu corpo ficou seco como madeira, seus olhos escureceram por causa do jejum e sua força se quebrou como um caco de barro (Salmos 22.15). Todas essas aflições te ocorreram por conta das iniqüidades de nossos filhos. Então ele irá responder aos patriarcas: Tudo o que eu fiz,o fiz apenas para o vosso bem e para o bem de vossos filhos, para vossa glória e para a glória de vossos filhos, para que eles se beneficiem da bondade que o Santo, Bendito seja Ele, irá derramar em abundância sobre Israel. Os Patriarcas lhe dirão: Efraim, o nosso verdadeiro Messias, estamos alegres com o que fizeste, pois tu realizaste o desígnio da mente do teu Criador e de nossas mentes também. Então, por isso ensinou o R. Simeon ben Pazzi: o Santo, bendito seja Ele, vai levantar o Messias até o céu dos céus, e vai encobri-lo em algo do esplendor de sua própria glória como uma protecção contra as nações da terra, particularmente contra os malvados persas.[...] Por que o versículo fala duas vezes da misericórdia: Terei misericórdia de quem tiver misericórdia? Uma misericórdia se refere ao momento em que ele será fechado na prisão, num momento em que as nações da terra rangerem os dentes contra ele, e piscarem os olhos um para o outro. E fazendo dele objeto de escárnio, balançam a cabeça para ele por desacato, abrindo os lábios para gargalhar, como se diz: Todos os que me vêem zombam de mim com desprezo, eles atiram os beiços e meneiam a cabeça:; (Sl 22, 8). A minha força secou-se como um caco de barro; e minha língua se me apega ao garganta; e tu me puseste no pó da morte" (Sal. 22:16). (Pesikta Rabbati, William G, Braude, Translator (New Haven: Yale University, 1968), Volume II, Piska 36,1-2; 37; pg 678-679 pg 680-681.)

Zohar - Palácio dos filhos da enfermidade:
"Quando eles contam ao Messias sobre o sofrimento de Israel no exílio, e sobre os ímpios entre eles, que não se preocupam em conhecer o seu Mestre, ele levanta sua voz e chora pelos ímpios entre eles, como está escrito: “Mas ele foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades (Isaías 53:5). As almas retornam aos seus lugares. No Jardim do Éden há um palácio chamado de Palácio dos filhos da enfermidade. O Messias entra nesse Palácio, e ordena que todas as doenças, dores e agonias de Israel venham sobre ele. E todas elas caem sobre ele. Se não fosse por ele, que alivia as dores de Israel e as toma sobre si próprio, ninguém teria sido capaz de suportar os castigos de Israel pelas transgressões da Torah. Este é o significado de “ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si." (Zohar, Parashá Vayiakhel 335-336)

No Midrash Siphre, encontramos o seguinte:
"O Rabino José Galileu disse: Vem aprender os méritos do Rei Messias e a recompensa dos justos. Desde que o primeiro homem [Adão] recebeu o mandamento, uma única proibição e transgrediu - considere quantas mortes foram infligidas sobre si mesmo, em sua própria geração e sobre aquelas [gerações] que as seguiram, até o fim de todas as gerações. Qual atributo é maior: o atributo da bondade ou o atributo da vingança? Ele respondeu: O atributo da bondade é o maior, e o atributo da vingança é menor. Quanto maior, então, será o Rei Messias, que resiste aflições e dores (como está escrito: "Ele foi ferido e humilhado") para justificar os transgressores de todas as gerações! E isso é o que se entende quando se ler: "Mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós". (Isa.53:6).

Em Pesiqta (sobre Isa.61:10) está escrito:
"Grandes opressões foram colocadas sobre você, como se diz: Pela opressão e pelo juízo foi levado e quem dentre os da sua geração considerou que ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? (Isa.53: 8), como se diz: mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós".'(Isa.53: 6).

No Machzor (livro de rezas das grandes festas) no Musaf de Yom Kippur existe uma oração escrita pelo Rabino Eliezer ben Kleir no século IX que fala do sofrimento e do retorno do Messias. Veja:

"Nosso Messias, o justo, apartou-se de nós: o horror nos apreendeu e não temos ninguém para nos justificar. Ele carregou sobre si as nossas iniqüidades e o jugo de nossas transgressões, e ele foi traspassado por causa das nossas transgressões. Suportou nossos pecados em cima de seus ombros para que nós pudéssemos encontrar o perdão para nossas iniqüidades. E nós seremos curados por suas feridas, no momento em que o Eterno o recriar como uma nova criatura. Oh! Elevai-o do círculo da terra. Erguei-o de Seir, para ajuntar-nos uma segunda vez sobre o Monte Líbano, pela mão de Yinnon."

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